terça-feira, 12 de abril de 2011

Equipe Economica desafina, falta harmonia, a casa está mais para residencia da "mãe Joana" de que de Dilma

Da Folha On Line, por Josias de Souza


12/04/2011

Equipe econômica de Dilma virou um ‘saco de gatos’

Ninguém disse ainda, talvez por pena, quem sabe em respeito à curta duração do governo. Mas urge alardear:
Sob Dilma Rousseff, a equipe econômica converteu-se num vitoso saco de gatos. Os miados são dissonantes. As unhadas ocorrem sob refletores.
Na semana passada, falando a um grupo de 200 industrais, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, acionou as garras contra a política cambial do “seu” governo.
Disse que, a pretexto de conter a inflação, Brasília abandonou a ideia de segurar o câmbio. Algo que destrói a industria nacional. Convidou a audiência a reagir.
Mais: confidenciou à platéia que não está só. Acompanham-no na divergência os ministros Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia).
Pois bem. Nesta terça (12), Coutinho voltou a miar fora do tom. Deu-se na China, em meio à viagem oficial da “chefe” Dilma Rousseff.
O mandachuva do BNDES repisou a tecla: o governo precisa ser mais tenaz no esforço para conter a sobrevalorização do Real frente ao dólar. Soou assim:
"Temos que utilizar nossas ferramentas disponíveis para mitigar a apreciação excessiva"...
“...Eu creio que o BC e o Ministério da Fazenda estão tentando fazer isso e acho que eles deveriam intensificar esse tipo de ação para impedir apreciação excessiva".
Coutinho não foi o único a reincidir na rebeldia. Sérgio Gabrielli, o presidente da Petrobras, também fez ressoar seus miados na China.
A despeito dos desmentidos dos pseudosuperiores hierárquicos Guido Mantega (Fazenda) e Edison Lobão (Minas e Energia), Gabrielli repetiu: o preço da gasolina pode tomar o elevador:
"Se o preço do petróleo ficar nesse nível que está hoje [mais de US$ 120 o barril], estável nesse nível, você vai ter de alterar [o preço da gasolina]”.
Por quê? “Nós estávamos trabalhando com [a cotação do barril a] US$ 65 a US$ 85”, disse Gabrielli.
Ele prosseguiu: "Que o preço vai ficar alto, parece que sim. O problema é o grau de variação que esse preço está tendo em torno de determinado patamar...”
“...Enquanto estiver variando muito, não tem como tomar decisão". Comparou a Petrobras a uma casa de repastos:
"O preço no menu do restaurante não aumenta porque o preço da carne subiu no dia. Leva um tempo pra mudar o preço da carne no prato".
Num governo com 39 ministérios e uma infinidade de estatais, é natural que ocorram divergências.
O desencontro de opiniões, além de normal, é salutar. O problema está no método.
O local adequado para a exposição das desarmonias é a sala de reuniões, não a praça pública.
Do modo como vem sendo exposto, o pensamento do governo torna-se biangular. As ideias são trapezóides. O diálogo é multidimensional. A gestão é estroboscópica.
Ou dona Dilma engaiola os gatos e põe ordem na casa ou ficará muito parecida com uma velha senhora: a mãe Joana

FHC CRITICA DISCURSO POPULAR DA OPOSIÇÃO

Da Folha de São Paulo, 11/04/2011



FHC: oposição deve parar de disputar povão com PT

Folha
Num instante em que a oposição roda como parafuso espanado em busca do discurso perdido, Fernando Henrique Cardoso sugere um caminho.
Para ele, "enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os ‘movimentos sociais’ ou o ‘povão’, falarão sozinhos".
Acha que a oposição precisa redirecionar seus esforços para conectar-se com a nova classe média, içada da pobreza pelo crescimento econômico dos últimos anos.
Deve-se à repórter Daniela Lima a revelação do receituário de FHC, hoje o principal –talvez o único— ideólogo da oposição.
Em notícia pendurada na manchete da Folha, ela antecipa o teor de um artigo escrito por FHC, presidente de honra do PSDB.
O texto será veiculado no próximo número da revista “Interesse Nacional”, que circula nesta quinta (14). Estará disponível também naweb.
Conforme noticiado aqui, no final de semana, o desempenho de Dilma Rousseff nos primeiros 100 dias de governo alterou o conceito que FHC fazia dela.
Durante a campanha, ele a apelidara “boneca de ventríloquo”. Nos últimos dias, passou a reconhecer, em privado, que Dilma o surpreendeu positivamente.
No texto que virá à luz em dois dias, FHC revela o receio de que a nova presidente se mostre mais sedutora à classe média do que Lula:
"Dilma, com estilo até agora contrastante com o do antecessor, pode envolver parte das classes médias. Estas [...] mantiveram certa reserva diante de Lula".
Para se contrapor a Dilma, tenta ensinar FHC, as legendas de oposição terão de alterar o modo de agir, modernizando-se.
Ele escreve que essa classe média tão almejada não participa da vida política do país como no passado.
Acompanha o desenrolar dos fatos em lugares onde os partidos praticamente inexistem. As redes sociais da internet, por exemplo. FHC anota no artigo:
“Se houver ousadia, as oposições podem organizar-se, dando vida não a diretórios burocráticos, mas a debates sobre temas de interesses dessas camadas".
Ele insinua no texto que, em vez de buscar os culpados de seus infortúnios em terrenos vizinhos, a oposição deve olhar para o próprio umbigo:
"Uma oposição que perde três disputas presidenciais não pode se acomodar e insistir em escusas que jogam a responsabilidade no terreno ‘do outro'."
Ex-presidente da República por dois mandatos, FHC realça num pedaço do artigo o cativeiro a que os aliados o condenaram nas últimas disputas presidenciais:
"Segmentos numerosos das oposições de hoje aceitaram a modernização representada pelo governo FHC com dor de consciência".
O texto é até delicado. Em verdade, não houve dor de consciência, mas vergonha. FHC e seu legado foram trancafiados no fundo do armário.
FHC deu ao seu novo artigo o mesmo título de um velho texto que escrevera na década de 70: "O papel da oposição".
Naquela época, ele se opunha à ditadura militar. "Diante do autoritarismo era mais fácil fincar estacas em um terreno político", comparou.
Considerando-se o nanismo de ideias que infelicita a oposição, o texto de FHC ganha a aparência de um oásis em meio ao Saara.
Porém, a peça perde-se em equívocos rudimentares. O primero deles é a premissa de que Lula não se conectou à classe média.
Lula ultrapassou esse cercadinho já na eleição de 2002, quando bateu José Serra. Reforçou os laços em 2006, ano em que moeu Geraldo Alckmin.
Outro equívoco é o de considerar que Dilma pode se achegar a esse nicho do eleitorado. Tomada pela primeira rodada de pesquisas, ela já chegou lá.
Para desbancá-la, a oposição depende de uma competência que ainda não foi capaz de exibir e de eventuais tropeços de Dilma.
De resto, a chamada nova classe média credita sua ascenção social à Era Lula. Daí a popularidade que rendeu a ele a reeleição e a “construção” da sucessora.
Só os especialistas ainda enxergam no processo evolutivo as digitais de ex-gestores como Itamar Franco e o próprio FHC.
Num ponto, o ex-presidente tucano tem razão. Ao envergonhar-se de seu legado, os “amigos” da oposição permitiram que Lula se apropriasse do passado, reciclando-o.
Difícil pedir ao “ex-povão” que recorde agora que a estabilidade econômica traz na sua gênese o Plano Real, que FHC costurou como ministro de Itamar.
Muito difícil emplacar a tese de que Lula apenas manteve conquistas que o petismo rejeitara no passado. Coisas como a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Dificílimo convencer os 'neo-incluídos' de que o Bolsa Família não é senão a versão aprimorada de programas de transferência de renda nascidos lá atrás.
Não há debate em rede social capaz de devolver à oposição o passado que ela própria permitiu que passasse.
Como escreve FHC, oposição que perde três eleições presidenciais não achará escusas no terreno do outro. Deve o infortúnio à sua própria incompetência.
No mais, a reiteração da divisão interna do PSDB e o derretimento do DEM revelam uma oposição convencida de que é errando que se aprende... a errar.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Economia, Inflação e Mercado

Da Folha de São Paulo- on line, por Josias de Souza


11/04/2011

Mercado volta a dizer que duvida da bruxaria do BC

Angeli
Pela quinta semana consecutiva, o mercado financeiro elevou sua previsão de inflação.
O Banco Central, como se sabe, realiza semanalmente uma pesquisa para medir os humores do mercado. Chama-se Focus.
Recolhe às sextas as opiniões de 100 operadores do mundo das finanças. Cruza os dados no fim de semana. E divulga-os às segundas.
Pois bem. Nas últimas cinco semanas esse boletim Focus traz sempre uma previsão mais salgada do que a outra.
Na sondagem da semana passada, os mandarins do mercado haviam estimado que a taxa de inflação fecharia o ano em 6,02%.
No levantamento desta segunda (11), puxaram a estimativa para 6,26%. Devagarzinho, o pessimismo vai alcançando o teto da meta oficial.
O governo se autoimpôs a meta anual de 4,5%. Concedeu a si mesmo a tolerância de dois pontos. Um índice de até 6,5% continuaria dentro da meta.
A pesquisa Focus revela que, aos olhos do mercado, o BC dificilmente conseguirá entregar a mercadoria prometida.
E daí? Bem, em matéria de inflação, as expectativas contam muito. São elas que orientam os manipuladores do painel de controle do governo.
A turma do BC e da Fazenda aperta os botões que devem ser apertados e, depois, espera para ver a reação dessa coisa imprevisível que é o gênero humano.
Os empresários vão investir? Os consumidores vão gastar? Essa gente vai poupar ou vai continuar tomando empréstimos feito louca?
Embora seja chamada de ciência, a economia tem um quê de bruxaria. E o Focus informa que a turma do mercado acha a macumba de Brasília fraca.
Há duas semanas, o próprio BC entregara 2011 a Deus. Informara que a agulha enfiada no boneco talvez só surtisse efeito em 2012.
Assim caminha a economia. O governo tenta impor a precisão matemática ao imponderável. Mas deixa claro que o poder de sua ciência tem limites.
Termina onde começa o mistério do comportamento humano. Não resolve muita coisa. Mas oferece ótimas desculpas.
Os búzios do governo estão sempre certos. O mercado e as pessoas é que insistem em não fazer o previsto

Educação - Excelente artigo de Edgar Flexa Ribeiro


Recuperação neles

O Ministério da Educação meteu-se em nova encrenca. Como nas anteriores, tudo parece ter origem na convicção de que eles lá, geniais, sabem melhor que ninguém o que é bom para nós, os outros.
Eles acham que sabem o que se tem que aprender, o que se deve ensinar, e quem vai fazer uma coisa e a outra.
Mais ou menos como me disse uma vez um pai de aluno acerca do ENEM: “Já entendi: para meu filho ser considerado um jovem brasileiro bem formado, tem que responder à pergunta que o MEC faz, do jeito que o MEC quer.”
Essa convicção é tão arraigada que eles não se dão conta de que, se eles fossem mesmo isso tudo, a educação nacional não estaria ruim como eles mesmos dizem que está. Não caiu a ficha da contradição.
Agora foi a hora de eles confundirem frequência escolar com inclusão social, no caso de crianças e jovens que precisam dominar técnicas próprias para se relacionar com o mundo exterior às suas percepções: deficientes visuais e auditivos.
Muitos deles estudam em institutos especiais aqui no Rio. Mas o MEC entendeu que não ia mais ser assim, pois todos, sempre segundo o MEC, serão muito bem atendidos em escolas regulares como qualquer outro estudante, tudo em nome da inclusão social.
Alta autoridade do MEC veio ao Rio passar essa comunicação. Os cursos iriam fechar no fim de 2011.
É claro que todo mundo reparou no absurdo da decisão. Os pais dos alunos reclamaram, pais de crianças com necessidades especiais reclamaram, especialistas reclamaram, a opinião pública reclamou.
O MEC negou tudo. Mas acontece que tramita no Congresso projeto de lei originário do MEC, apresentado pelo ministro e encaminhado pela presidência da República, que afirma a intenção de que isso ocorra, a pretexto de promover a inclusão social.
Papelão!
A auto-suficiência do MEC não é de hoje. E nossos problemas na educação começam longe das salas de aula. Ainda sofremos com uma centralização que busca uma fôrma educacional única, que abrigue e atenda igualmente bem toda a diversidade deste país continental.
Talvez o educocrata de Brasília guarde a lembrança concentradora do colonizador vindo de Portugal, oposta à realidade brasileira, de que a distância que vai do Planalto Central a Manaus ou Porto Alegre é igual à que separa Lisboa do Porto ou do Algarve.
O binóculo que o MEC usa está ao contrário, pois o Brasil é muito maior e mais vário do que aquilo que eles conseguem ver.
O MEC merece ficar em recuperação, para ver se aprende mais sobre o país.

Edgar Flexa Ribeiro é educador, radialista e presidente da Associação Brasileira de Educação

GOVERNOS PODEM SER TRANSPARENTES OU OPACOS

Do Dicionário, 
Sinônimos de Transparência

Transparência: clareza, nitidez e perspicuidade

Definição de Transparência

Classe gramatical de transparência: Substantivo feminino
Separação das sílabas de transparência: trans-pa-rên-ci-a
Plural de transparência: transparências
Possui 13 letrasPossui as vogais: a e iPossui as consoantes: c n p r s tTransparência escrita ao contrário: aicnêrapsnart

Frases na imprensa com transparência

Em nota, a PM afirmou que "não compactua com nenhum tipo de irregularidade e apura com rigor qualquer desvio de conduta praticado por policiais, dando todatransparência aos casos dos quais toma conhecimento". Folha de São Paulo, 29/01/2011
"Precisamos criar transparência onde ela é rejeitada", disse Domscheit-Berg, que tem base na Alemanha e também já esteve envolvido com o grupo de hackers alemão Chaos Computer Club. Folha de São Paulo, 28/01/2011





Significado de Opaco

adj. Que não é transparente; que não deixa passar a luz.
Sombrio, escuro.
Fig. Impenetrável.

Sinônimos de Opaco

Definição de Opaco

Classe gramatical de opaco: Adjetivo
Separação das sílabas de opaco: o-pa-co
Possui 5 letrasPossui as vogais: a oPossui as consoantes: c pOpaco escrita ao contrário: ocapo

Antônimos de Opaco

Frases na imprensa com opaco

No Tribunal do Júri, a votação é feita na forma de perguntas e respostas. O juiz manda distribuir aos jurados pequenas cédulas, feitas de papel opaco e facilmente dobráveis, contendo sete delas a palavra "sim" e sete a palavra "não". Folha de São Paulo, 24/03/2010
Agora, as primeiras imagens simples foram transmitidas através de um objetoopaco e reconstruídas do outro lado, pelo físico Sylvain Gigan e colegas, na École Supérieure de Physique et de Chimie Industrielles, em Paris, França. Folha de São Paulo, 29/01/2010
GOVERNOS PODEM SER TRANSPARENTES OU OPACOS, NA ELEIÇÃO VOCÊ VAI ESCOLHER.

domingo, 10 de abril de 2011

Da Folha de São Paulo

Por Josias de Souza


10/04/2011

Oposição enxerga acertos em Dilma e se desnorteia

Angeli
Três meses de Dilma Rousseff foi tempo bastante para que Fernando Henrique Cardoso alterasse o conceito que fazia dela.
Presidente de honra do PSDB e principal ideólogo da oposição, FHC pespegara em Dilma, durante a campanha de 2010, a pecha de “boneca de ventríloquo”.
Insinuara que, eleita, quem daria as cartas seria Lula, não ela. Hoje, em diálogos privados, FHC reconhece que Dilma o “surpreendeu”. Positivamente.
A avaliação de FHC se espraia por toda a oposição. Alastra-se pelo PSDB e também pelo DEM, seu parceiro de oposição.
Tornou-se consensual entre os adversários do governo a percepção de que, a menos que ocorram tropeços, não será fácil se opor a Dilma.
Avalia-se que a presidente revelou-se dona de personalidade própria. Distancia-se de Lula nos pontos que alimentavam as fornalhas da oposição.
Substituiu a histrionia pela parcimônia verbal. Trocou a ideologia pelo pragmatismo. Distanciou-se do Irã. Reachegou-se aos EUA. Anunciou cortes orçamentários.
Como se fosse pouco, revelou-se capaz de gestos como o convite a FHC para o almoço oferecido ao visitante Barack Obama.
Um gesto que, tonificado pela ausência de Lula, forçou FHC a derramar-se elogios sobre os microfones.
Afora a ausência de discurso, a oposição debate-se consigo mesma. PSDB e DEM são, hoje, os principais adversários do PSDB e do DEM.
O tucanato, agremiação de amigos 100% feita de inimigos, revolve suas divisões. Divisões internas e eternas.
No centro de todas as trincas está José Serra, o candidato que a ex-boneca abateu com a ajuda do ex-ventríloquo.
Serra mede forças com Aécio Neves por 2014. Digladia-se com Sérgio Guerra pela presidência do partido. Disputa com Geraldo Alckmin a hegemonia em São Paulo.
O DEM, depois de engolfado pela “onda Lula”, luta para que a lipoaspiração congressual não evolua para um raquitismo patológico.
Os ‘demos’ que não aderiram ao projeto de novo partido do prefeito Gilberto Kassab dividem-se em dois grupos.
Uma ala olha para o futuro com grandes dúvidas. A outra já não tem a menor dúvida: o futuro é uma fusão com o PSDB, uma espécie de inexorável à espera do melhor momento para acontecer.
Assim, dividida, dilacerada e sem norte, a oposição enxerga nos acertos da Dilma um entrave adicional para pôr em pé um discurso alternativo.
Vai-se buscar munição nos detalhes. O DEM faz um inventário das promessas de campanha de Dilma. Acha que não há como cumpri-las. E esboça a cobrança.
O PSDB fará do recrudescimento da inflação o seu principal cavalo de batalha. Enxerga na eletrificação do índice a oportunidade para reacencer a pauta antigastança.
Parte-se do pressuposto de que Dilma não conseguirá entregar o corte orçamentário de mais de R$ 50 bilhões que prometeu.
Vai-se atacar a inificiência do Estado “aparelhado” e realçar a herança tóxica deixada por um Lula que tinha em Dilma sua principal gerente.
À sua maneira, Aécio Neves, o grão-duque do tucanato de Minas, esgrimiu esses tópicos no discurso inaugural que pronunciou no Senado.
"Vemos, infelizmente, renascer, da farra da gastança descontrolada dos últimos anos, em especial do ano eleitoral, a crônica e grave doença da inflação", disse Aécio.
“Era o discurso que faltava”, festejou Sérgio Guerra, o ainda presidente do PSDB.
A despeito dos anseios de Serra, Aécio tornou-se o nome preferencial de tucanos e agregados para o próximo embate sucessório.
Com isso, guinda-se ao posto de principal líder da oposição um personagem que se definiu no celebrado discurso como “um construtor de pontes”.
Para Aécio, o êxito de seu projeto passa por duas variáveis: os eventuais erros de Dilma e a capacidade da oposição de beliscar pedaços do atual condomínio governista.
Assim, além de aprumar um discurso e torcer pelos tropeços da sucessora de Lula, a oposição teria de seduzir legendas como PSB, PDT, PP...
Tudo isso contra um pano de fundo marcado pela crise do “de repente”. Numa Era pós-revolucionária, o brasileiro afeiçoou-se à evolução econômica e sociail lenta.
Ao reconhecer os méritos de Lula, Aécio realçou dois: a manutenção dos pilares econômicos erigidos nas gestões Itamar e FHC e o viés social.
O problema é que o cidadão tende a associar os benefícios resultantes da combinação ao mandatário de plantão, não aos gestores do passado.
Significa dizer que, se conseguir debelar o surto inflacionário e manter a cozinha relativamente em ordem, Dilma vai a ante-sala de 2014 bem posta.
Foi-se o tempo em que o eleitor acreditava em salvadores e em milagres. Já não há o “antes” e o “depois”. Só há o “processo”, vocábulo caro ao PSDB.
Escolado, o dono do voto agarra-se à força das continuidades. Olha para a mudança com ceticismo. De novo: vive-se uma crise do “de repente”.
Sem vocação para fazer uma oposição ao estilo do ex-PT, PSDB e DEM foram como que condenados à tocaia. Rezam baixinho por um tsunami que destrua a perspectiva de poder longevo que Dilma passou a representar.
Até a torcida exige comedimento. Uma arquibancada barulhenta poderia soar impatriótica.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

MINISTERIO DA SAÚDE EXIGE TRANSPARÊNCIA NO RELATÓRIO DE GESTÃO

Interessante para todos, especialmente para o controle social, o SUS deve exigir que Estados e Municípios façam públicas as informações do Relatório de Gestão como condição para receber os repasses.
É usual no sistema Estados e Municípios receberem recursos por serviços que não são prestados, baseado exclusivamente no que foi inicialmente proposto, como o caso da Maternidade de Tucuruí.

Conheça publicação de O Globo.


Ministério da Saúde aperta fiscalização

Verba do SUS só será repassada a quem divulgar dados sobre atendimentos
Roberto Maltchik, O Globo
Estados e municípios terão que tornar públicas e atualizar periodicamente todas as informações sobre o atendimento de saúde, para manter o recebimento de recursos federais do Sistema Único de Saúde (SUS).
A nova regulamentação extingue o atual sistema dos relatórios de gestão, cujo conteúdo não é analisado, segundo detectou grupo de trabalho do Ministério Público Federal que analisou esses relatórios nos últimos dois anos.
Essas medidas integram a reformulação do sistema de repasses de verbas federais a estados e municípios que o Ministério da Saúde deve anunciar em breve. A fragilidade na fiscalização do dinheiro foi revelada pelo GLOBO semana passada.
O novo sistema de acompanhamento ainda não tem nome, mas deve começar a ser debatido com estados e municípios nos próximos dias.
A ideia tem o aval da presidente Dilma Rousseff, e o governo pode editar um decreto para pôr em prática as mudanças. Segundo o ministro Alexandre Padilha, os indicadores de qualidade de acesso, promessa assumida no discurso de posse, também serão públicos.
— O plano estadual de Saúde só será aceito se estiver de acordo com o plano nacional. No contrato que estamos propondo, você terá que informar o relatório de gestão, com um sistema público de informação. (O público) poderá saber o que foi pactuado entre União, estados e municípios — disse Padilha

segunda-feira, 4 de abril de 2011

HUMOR - O PARTO DA PUTA

O Parto da Puta

O pobre quando quer ser solidário sempre se ferra.
O cara está preso na delegacia, todo arrebentado....

O advogado comparece para libertá-lo, e pergunta o que havia acontecido.

O cliente começa a explicar:

- Bem, eu estava passando na rua e de repente, vi um monte de gente correndo.

Estavam socorrendo uma prostituta, que acabava de dar a luz a um lindo menino.

Solidário, comprei um pacote de fraldas para presentear a prostituta.

Então, um PM, com 2 metros de altura se aproximou, e vendo o pacote de fraldas nas minhas mãos, perguntou:

- Pra onde vai isso?

E eu respondi:

- Vai pra puta... que pariu...
Depois disso, não me lembro de mais nada, mas já estou conseguindo abrir um olho !!!

domingo, 3 de abril de 2011

PONTE ENTRE BREU BRANCO E TUCURUÍ



Caminho difere de destino.

Esse movimento em Defesa de Tucuruí é uma iniciativa louvável, entretanto a sugestão da construção da ponte entre Breu Branco e Tucuruí,  para geração de empregos na cidade é um equivoco.

As eclusas de Tucuruí foram construídas, obrigação de quem outrora barrou o Rio, mas as eclusas por si não trazem desenvolvimento a Tucuruí, a não ser a bolha de desenvolvimento decorrente do movimento econômico ocorrido durante a construção, que já terminou.
Se Tucuruí não oferecer  infra-estrutura suficiente para abrigar investimentos, as eclusas não passarão de um caminho e nada ou muito pouco deixarão para Tucuruí.

Da mesma forma a Ponte Breu Branco Tucuruí, é um caminho e se Tucuruí não ofertar um mínimo de infra-estrutura para abrigar investimentos
A ponte,  se existir, o que não acredito, continuará sendo um mero caminho.

Existem no país dezenas de Hidrelétricas que são estradas, estradas dez vezes mais movimentadas que a travessia Breu Branco, Tucuruí, operando há décadas e nada de extraordinário aconteceu ao mesmo tempo em que não se falam em pontes para substituir a travessia, especialmente as Usinas Hidreletricas do Rio Paraná que dividem os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, dão acesso a Capital de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, cujo movimento rodoviário é intenso.

Os únicos beneficiários desse devaneio são os empreiteiros da construção civil que lucrariam com o investimento, aproveitariam a estrutura montada para a construção da Hidrelétrica e Eclusas.
Atualmente, com novas técnicas de engenharia, o uso extensivo de mão de obra num empreendimento como esse é muito menor que foi quando construíram a primeira etapa da Usina de Tucuruí, portanto a tese de que haveriam muitos empregos é falaciosa e limitada.
O resultado econômico da construção da ponte estaria alocado muito mais para a o Bairro de Vila Olímpia em São Paulo do que para Tucuruí.

Outro grupo de interessados são os executivos da estatal que provavelmente supervisionaria a construção da tal ponte, essas pessoas não conseguem ficar sem uma medição para analisar e aprovar, com todas as conseqüências que isso proporciona.

A idéia da construção da ponte sensibilizou pessoas de boa intenção que embarcaram no loby da construtora e estão recebendo apoio de políticos estabelecidos e com mandato porque político não pode ver um aglomerado que sua reação automática e medular é dizer “apoio”.
Mesmo sabendo que a ponte não existirá e se existir é absolutamente desnecessária.

O Brasil não é um país onde sobram recursos para investimento.

Ajudar Tucuruí, seria pugnar por investimentos em infra-estrutura tais como esgoto sanitário, escolas, urbanização, comunicações (banda larga eficiente), que possam atrair investimentos  perenes para a cidade e Tucuruí possa deixar de ser caminho para ser destino. 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

quinta-feira, 31 de março de 2011

AQUELA AURORA

Crônica de Luiz Fernando Veríssimo,


Aquela aurora

Em São Paulo acabam de fundar um partido que se declara nem de esquerda, nem de direita nem de centro. Um partido de nada, a favor de tudo, ou exclusivamente a favor de si mesmo.

Tudo bem. "Esquerda" e "direita" são termos obsoletos e "centro" hoje é sinônimo de PMDB, ou de uma nevoa ideológica.
O novo partido paulista não vem preencher um vácuo, vem institucionalizar o vácuo. Seu nome evoca o passado, quando o Getúlio, para não dizerem que o Brasil não era uma democracia, inventou dois partidos opostos, o PTB e o PSD. Justiça seja feita: o novo partido surge representando nada, mas com saudade de um tempo em que as siglas, mesmo falsas, significavam alguma coisa.
Bom mesmo era o século 19, quando tudo isso começou. Como no texto do Paulo Mendes Campos que fala das primeiras do Gênese, com "o mundo ainda úmido da criação", se poderia descrever com o mesmo encanto aquele outro inicio. Quando a História, por assim dizer, entrou na história e tudo recebia seus nomes verdadeiros. Uma segunda Criação. Hegel ainda quente, Marx lançando suas ideias explosivas como granadas, o passado e o futuro sendo redefinidos com rigor científico e a modernidade tecnológica e a modernidade social (ou, simplificando, a máquina a vapor e a nova consciência proletária) prestes a se fundir para transformar o mundo. "Bliss it was in that dawn to be alive", êxtase era estar vivo naquela aurora, escreveu o poeta Wordsworth sobre a Revolução Francesa.
A esquerda poderia dizer o mesmo do século 19. Naquela aurora não havia dúvida sobre a inevitabilidade histórica do socialismo.
Mas êxtase também espera a direita numa volta idílica ao século 19. Foi o século de reação à Revolução, da restauração conservadora na Europa depois do terremoto republicano e do nascente capitalismo industrial sem remorso. Os que hoje propõem a "flexibilização" dos direitos dos trabalhadores conquistados em anos de luta (como os que os ingleses defendiam nas ruas de Londres, há dias) babariam com o que veriam no velho século: homens, mulheres e crianças trabalhando 15 horas por dia, sem qualquer amparo, e sem qualquer encargo legal ou moral, fora os magros salários, para seus empregadores. A perfeição. Antes que a pregação socialista a estragasse.
Século 19, terra de sonhos. Tanto para a esquerda quanto para a direita, antes que tudo virasse um mingau só.

domingo, 27 de março de 2011

A DEMOCRACIA SUPLETIVA

O professor Gaudência Torquato, que foi meu professor de sociologia em 1975 em São Paulo escreveu um excelente artigo publicado no jornal "O Estado de São Paulo" deste domingo, que reproduzo para os nossos leitores, muito interessante e elucidativo.

A DEMOCRACIA SUPLETIVA

O poder das coisas suplanta o poder das ideias. A hipótese pode parecer um disparate. Inserida, porém, no bojo da sociedade contemporânea – emoldurada pela expansão econômica, despolitização, esfacelamento de doutrinas, luta por interesses setoriais e grupais, administração de coisas materiais, começa a ganhar sentido.
O território da política é o que mais sofre os efeitos dessa nova ordem. E a razão é a crise que assola o modelo de representação.
O declínio dos partidos corrói a imagem dos mandatários e faz nascer múltiplos aglomerados, os quais, por sua vez, procuram substituir a esmorecida instituição política. E por que esta definha? Porque a democracia deixou de cumprir seus compromissos para com a sociedade, como ensina Norberto Bobbio.
A descrença no sistema representativo faz emergir pólos de agregação e contestação fora do Parlamento. Nesse vácuo desponta uma nova designação na fisionomia das nações democráticas: democracia supletiva. O termo, adotado pelo sociólogo Roger-Gérard Schwartzenberg e que indica a existência de uma sub-estrutura em auxílio à democracia representativa, cobre a constelação de entidades que fazem micropolítica, a política do varejo, das pequenas coisas.
Como se avalia a força desse fenômeno entre nós? Por meio da composição da organicidade social. Tanto sob a dimensão vertical (classes sociais, grupos e categorias profissionais), quanto sob o prisma horizontal/espacial (regiões centrais e periféricas), espraia-se vigorosa onda formada por entidades focadas para a intermediação de interesses: associações, sindicatos, federações, clubes, núcleos, movimentos etc.
Na esfera das nações, o Brasil desponta com um vasto território coberto pela democracia supletiva. Dispomos de uma rica moldura de entidades. Algumas instâncias são bem aparelhadas, a mostrar grupos atuantes seja nas retaguardas corporativas – defesa de interesses de setores negociais– seja na vanguarda da cidadania, que abriga o debate sobre temáticas coletivas, como sustentabilidade, igualdade de gêneros, luta contra as drogas, proteção da criança e do adolescente, segurança pública, entre outras.
O que chama a atenção na teia organizativa é o poder de mobilização de certos núcleos, particularmente os que atuam na base da pirâmide social, hoje mais parecida com um losango. Temos, já, 101 milhões de brasileiros na classe média.
Sob esse olhar, surge a primeira observação: a massa laboral detém, hoje, maior poder de barganha e pressão do que o eixo empresarial. É patente o esmorecimento das tradicionais entidades empresariais, como Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federações de Indústrias, Associações Comerciais e outras. No passado, definiam rumos da economia. Hoje, mais parecem leões desdentados. Cedem espaço às associações das cadeias produtivas, que, estas, sim, assumem funções políticas nas frentes institucionais.
Já as bases laborais urbanas atingem o clímax de sua força, a partir do ciclo Lula e da legalização das Centrais Sindicais. Endinheiradas e prestigiadas, essas entidades dão o tom em múltiplos espaços da administração pública. Dirigem a orquestra das relações do trabalho. O capital praticamente não apita em matéria de política trabalhista.
Os trabalhadores rurais, por sua vez, não dispõem de um sistema de interlocução tão contundente quanto o dos conglomerados urbanos. Sua imagem, ademais, é embaciada pela cor vermelha das bandeiras do Movimento dos Sem Terra, que, mesmo desprestigiado, encampa a agenda rural.
A representação empresarial do campo, por sua vez, expressa discurso mais harmônico que a urbana. Sua imagem, porém, resvala pelo extremo conservadorismo.
Ainda na parte inferior da pirâmide/losango, formam-se as associações de bairros, que atuam de maneira pragmática na arena institucional, funcionando como extensões da representação política. As questões locais entram no menu servido aos políticos.
Nesse vasto território e até mais em cima, assumem destaque as vertentes religiosas, que, ao lado da defesa de crenças e dogmas, também começam a vestir cores políticas. Passam a entoar o canto geral dos anseios coletivos, como a defesa do meio ambiente, que, por sinal é o tema deste ano da Campanha da Fraternidade, patrocinada pela igreja católica. Igrejas e credos desenvolvem, à sua maneira, a democracia supletiva.
Saindo da base para o meio, expande-se a vasta cadeia organizativa sob a qual se abrigam profissionais liberais, habitantes do centro e do topo da pirâmide. Trata-se de uma rede corporativa, com poder de persuasão e forte articulação junto às instituições políticas, posição que lhe garante escudo normativo. Mas a influência midiática dos pólos centrais acaba se diluindo nos variados compartimentos que conduzem as demandas de cada grupamento.
O contingente jovem, que se retraiu após a mobilização dos caras pintadas da era Collor, começa agora a se fazer presente nas ruas, sendo esta a boa novidade na paisagem de nossa democracia supletiva.
O mais recente movimento dos jovens, em São Paulo, fazendo pressão contra aumento na passagem de ônibus, aponta para o despertar de segmento considerado transcendental para a vivificação de nossa democracia. Eventuais mobilizações que ocorrem no território são motivadas, porém, menos em defesa de ideários e mais por proteção ao bolso. Os jovens continuam apartados da esfera de participação política.
Por último, ressaltam-se as correntes que se formam em defesa da igualdade de gêneros e raças, algumas responsáveis pelas maiores concentrações de massa do país, como a Parada Gay de São Paulo.
Nossa democracia supletiva tende a se expandir, no bojo da conscientização social, expansão econômica, melhoria de padrões de vida e declínio dos mecanismos clássicos da política, como doutrinas, partidos, Parlamentos e oposições. A perspectiva é alvissareira. Afinal, esse é o oxigênio que vivifica todos os poros do corpo social. 

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP e consultor político e de comunicação.